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Falando em Genebra na terça-feira, o porta-voz do Acnur, Babar Baloch, alertou que cortes acentuados no financiamento humanitário e de desenvolvimento estão colocando em risco serviços essenciais para uma das maiores populações de refugiados do mundo. “O generoso apoio de Bangladesh e da comunidade internacional tem sido fundamental para atender suas necessidades básicas e oferecer proteção”, disse ele a jornalistas.

O maior fluxo de refugiados rohingya ocorreu em agosto de 2017, quando cerca de 750 mil pessoas fugiram da violência no estado de Rakhine, em Mianmar, e cruzaram para Bangladesh. O Acnur observou que o apoio de Bangladesh e de doadores tem sido vital para atender necessidades básicas e oferecer proteção desde então.

O apelo da agência ocorre em meio à crescente instabilidade global e a crises humanitárias concorrentes que têm esticado os orçamentos de ajuda em todo o mundo. No mês passado, a ONU e seus parceiros, junto ao governo de Bangladesh, lançaram um apelo por 710,5 milhões de dólares para atender às necessidades mais urgentes de refugiados rohingya e comunidades anfitriãs em 2026. Apesar do aumento das necessidades, o apelo é 26% menor que o pedido de financiamento do ano passado, refletindo o que as agências de ajuda descrevem como uma resposta “hiperpriorizada”, focada nas necessidades mais críticas.

Desde 2017, o financiamento humanitário ajudou a sustentar assistência alimentar, saúde, educação e serviços de proteção. No entanto, o Acnur alertou que necessidades significativas persistem e as condições podem piorar sem apoio contínuo. Os refugiados rohingya seguem amplamente dependentes de ajuda, com oportunidades limitadas de gerar renda. Grupos vulneráveis — incluindo mulheres e meninas, idosos e pessoas com deficiência — são particularmente afetados pela escassez de financiamento. Os desafios também se intensificaram para cerca de 150 mil novos chegados que fugiram da violência renovada no estado de Rakhine desde o início de 2024. O acesso humanitário bloqueado e a escassez de financiamento deixam comunidades sem comida, água limpa e assistência à saúde.

O Acnur afirmou que o conflito, a perseguição e a insegurança contínuos dentro de Mianmar continuam impedindo o retorno seguro dos refugiados. Com as perspectivas de repatriação diminuindo, mais rohingyas recorrem a perigosas travessias marítimas em busca de oportunidades em outras partes da região. Segundo a agência, 2025 foi o ano mais mortal já registrado para esse tipo de travessia, com quase 900 refugiados rohingya reportados mortos ou desaparecidos no Mar de Andaman e na Baía de Bengala.

O Acnur ressaltou que manter apenas níveis mínimos de assistência humanitária pode levar a consequências mais graves e custosas no futuro. “Até que o conflito e a violência parem, a comunidade internacional precisa continuar em solidariedade com os refugiados de Mianmar, incluindo os rohingya, e suas comunidades anfitriãs”, disse Baloch, renovando o apelo da agência por apoio humanitário e por esforços para viabilizar o retorno voluntário, seguro e digno dos refugiados quando as condições permitirem.

UN News

Conteudo institucional reproduzido de UN News, conforme politica de credito da fonte.

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