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Imigração

Haiti: necessidades avassaladoras exigem engajamento de longo prazo

4 min de leitura

A crise vem se espalhando para além dos centros tradicionais de insegurança. Famílias em áreas urbanas e rurais continuam fugindo de ataques, muitas vezes mais de uma vez e com opções cada vez mais limitadas de segurança.

“A crise de deslocamento no Haiti está entrando em uma fase ainda mais alarmante”, disse Gregoire Goodstein, chefe de missão da OIM no Haiti. Só em maio, novos ataques no densamente povoado bairro de Cité Soleil — a maior favela da capital — deslocaram mais de 18 mil pessoas em poucos dias. O aumento fez o número de deslocados internos em Porto Príncipe ultrapassar os 300 mil pela primeira vez na história registrada.

Goodstein descreveu a experiência de uma mulher que fugiu de Porto Príncipe depois que sua comunidade sofreu um ataque de gangues: “Para chegar a um lugar seguro, a família dela atravessou o mar com água até o pescoço, depois rastejou por campos cobertos de lama e lixo para evitar ser vista pelas gangues”, contou.

A maioria das pessoas que fogem do aumento da violência buscou abrigo em locais espontâneos superlotados ou se mudou para a casa de famílias anfitriãs já sobrecarregadas para atender suas próprias necessidades.

A propagação da insegurança tem cada vez mais borrado a distinção entre áreas de conflito e áreas de refúgio. Poucas semanas antes da violência em Cité Soleil, ataques armados no Departamento do Sudeste do Haiti deslocaram mais de 5 mil pessoas. A região antes era considerada um destino mais seguro para quem fugia da instabilidade em outras partes do país. Agências humanitárias dizem que essa mudança reflete uma tendência preocupante: comunidades que antes absorviam famílias deslocadas agora estão se tornando, elas mesmas, pontos críticos de deslocamento.

Ao mesmo tempo, a crise foi agravada por retornos forçados contínuos. Desde o início de 2026, mais de 110 mil haitianos foram devolvidos ao país, incluindo mulheres, crianças e outros grupos vulneráveis. Muitos chegam com poucos recursos e apoio limitado, retornando a áreas já afetadas pela insegurança ou com dificuldade de absorver mais pressão populacional. Entre os retornados estão grupos particularmente vulneráveis, incluindo crianças desacompanhadas, gestantes e mulheres no pós-parto, muitas enfrentando condições difíceis e inseguras na chegada.

Em todos os locais de deslocamento e nas comunidades anfitriãs, as necessidades humanitárias continuam crescendo. Famílias deslocadas relatam graves escassezes de abrigo, comida, água limpa e assistência à saúde. O acesso a apoio psicossocial também segue limitado, apesar do trauma generalizado ligado ao deslocamento repetido e à exposição à violência. Condições de vida superlotadas e o acesso cada vez mais precário a serviços também aumentam as preocupações com proteção, incluindo riscos elevados de exploração e abuso.

Agências humanitárias alertam que as condições podem piorar ainda mais com o início da temporada de furacões no Atlântico. Inundações e clima severo representam ameaça adicional a milhares de deslocados vivendo em abrigos temporários e superlotados, com pouca proteção contra tempestades.

Apesar da insegurança e das difíceis condições operacionais, a OIM e parceiros humanitários continuam a oferecer apoio emergencial em algumas das áreas mais atingidas do Haiti. Os esforços atuais incluem abrigo emergencial, assistência à saúde, água e saneamento, apoio psicossocial, suprimentos de socorro e apoio à gestão de locais. Agências de ajuda ressaltam que a assistência humanitária sozinha não será suficiente. As comunidades haitianas precisam de apoio que vá além do socorro emergencial, incluindo mais segurança, acesso a serviços básicos, documentação de identidade legal e oportunidades de trabalho remunerado.

UN News

Conteudo institucional reproduzido de UN News, conforme politica de credito da fonte.

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