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Acompanhe a cobertura: jornalistas, veículos de imprensa e ativistas locais cobrindo os terremotos na Venezuela

9 min de leitura

Imagem do terremoto em La Guaira, 2026. Captura de tela do vídeo ‘Drone capta estragos generalizados causados pelos terremotos na Venezuela à medida que o número de mortos ultrapassa 3.000’, de Yumus Emre. Uso livre.

Os dois grandes terremotos que atingiram a Venezuela tiveram um impacto devastador em pelo menos seis cidades e repercutiram por todo o país e sua diáspora. Os números oficiais, amplamente considerados muito abaixo da real dimensão da tragédia, registram quase 4 mil mortos, 16 mil feridos e mais de 30 mil desabrigados. A catástrofe ocorre num momento em que a Venezuela, mergulhada em uma emergência humanitária desde 2014, enfrenta um dos períodos mais difíceis dos últimos anos, em meio a uma crise política em curso após os ataques aéreos de 3 de janeiro.

Como era de se esperar, o volume de informações circulando on-line tem sido avassalador. Para ajudar os leitores a se orientarem nesse cenário, a Global Voices reuniu uma lista de jornalistas venezuelanos, veículos de imprensa locais, voluntários, socorristas, ativistas e criadores de conteúdo verificados que estão reportando diretamente das comunidades afetadas ou oferecendo informações valiosas, orientações práticas e análises a partir da diáspora venezuelana.

Leia mais: Cidadãos lideram esforços de ajuda após os dois grandes terremotos na Venezuela

Acompanhar os acontecimentos por meio de fontes locais é importante, sobretudo em momentos de incerteza política e convulsão social. Jornalistas venezuelanos e organizações comunitárias costumam estar em melhor posição para compreender o contexto local, documentar o impacto do desastre e amplificar as vozes dos sobreviventes. A imprensa internacional e as organizações humanitárias também desempenham um papel essencial, mas este guia prioriza repórteres e organizadores venezuelanos que atuam em equipes internacionais e têm conhecimento direto e conexões com a situação em curso.

Do epicentro: La Guaira Imagem do terremoto em La Guaira, 2026. Captura de tela do vídeo ‘Drone capta estragos generalizados causados pelos terremotos na Venezuela à medida que o número de mortos ultrapassa 3.000’, de Yumus Emre. Uso livre.

Jornalistas na Venezuela estão cobrindo o terremoto em condições desafiadoras. Quem reporta a partir do epicentro, em La Guaira, precisa equilibrar as exigências da cobertura diária com dificuldades logísticas, necessidades humanitárias, riscos físicos e um ambiente em que o aumento da presença militar historicamente cria obstáculos para o jornalismo independente.

Apesar desses desafios, jornalistas e veículos de imprensa venezuelanos continuam fornecendo informações essenciais das áreas afetadas, documentando o impacto do desastre, as experiências dos sobreviventes e a resposta de autoridades e comunidades.

Entre eles está o veículo independente Venezueling, liderado por Nicole Kolster e Adriana Núñez, que tem oferecido ampla cobertura no local por meio de vídeos, podcasts e reportagens de campo. Núñez também colabora com o Armando.info, veículo investigativo focado em corrupção na Venezuela, que tem apurado irregularidades em projetos de habitação social em La Guaira.

Helena Carpio, jornalista e fotógrafa venezuelana que colabora com o The Washington Post, tem trazido para a cobertura do terremoto sua longa experiência cobrindo emergências humanitárias, meio ambiente e direitos humanos. Dannielly Rodríguez, defensora de direitos humanos e jornalista, viaja diariamente a La Guaira desde o terremoto e reporta sobre a ajuda humanitária para o The New Humanitarian. O El Estímulo tem produzido ampla cobertura em vídeo em Caracas e La Guaira, com foco no impacto humano do desastre, trazendo atualizações e histórias diárias direto do local.

Outros jornalistas que documentam as consequências do desastre incluem Vanessa Davies (Contrapunto), que também cobriu as enchentes de La Guaira em 1999; Osmary Hernández (CNN en Español, que também reporta em inglês); a jornalista independente Maryorin Méndez, que tem acompanhado de perto o desabamento de edifícios, os esforços de resgate, a remoção de escombros e a resposta do Estado; Nadeska Noriega Ávila (El Pitazo), correspondente em La Guaira e moradora antiga da região; e Génesis Carrero e Yohana Marra (Crónica Uno), jornalistas veteranas que cobrem o desastre no local. Carrero também tem apoiado colegas jornalistas por meio do sindicato de jornalismo venezuelano, ajudando a garantir acesso a água, conexão à internet e carregamento de celulares.

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Veículos como Cazadores de Fake News, ProBox, Tal Cual, Noticias Sin Filtro e La TV Calle também têm oferecido notícias e atualizações diárias, checagem de fatos, monitoramento de redes sociais e análises sobre o impacto dos terremotos.

Fabiola Ferrero, Gaby Oráa, Andrea Hernández, Adrián Naranjo, Freisy González, Román Camacho, Rayner Peña e Diko Betancourt também são ótimos fotógrafos para acompanhar neste momento.

Juntos, esses repórteres e veículos de imprensa estão oferecendo uma cobertura crucial e em primeira mão num momento em que informações confiáveis são essenciais.

Entendendo os terremotos: ciência, riscos e réplicas ambientais Compreender as consequências ambientais e geológicas do terremoto exige ouvir especialistas capazes de explicar não apenas o que aconteceu, mas também quais riscos podem surgir no período pós-desastre.

Karen Brewer-Carías tem usado suas plataformas para educar milhares de seguidores sobre conservação, ecossistemas e a importância de proteger os ambientes naturais da Venezuela. Após o terremoto, ela tem chamado atenção para as preocupações com possíveis impactos em La Guaira e na cordilheira do Ávila, perto de Caracas, alertando sobre as consequências ambientais de longo prazo do descarte de escombros do terremoto no mar.

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A jornalista Shirley Varnagy tem se dedicado a trazer vozes especializadas para o debate, entrevistando especialistas da Venezuela e de toda a região, incluindo engenheiros civis, sismólogos, especialistas em meio ambiente e geofísicos.

Entre os entrevistados está o geofísico venezuelano Raúl Estévez, que tem discutido preocupações antigas sobre os riscos sísmicos no país, incluindo alertas de que um grande terremoto poderia ocorrer no oeste da Venezuela. Varnagy também entrevistou especialistas que analisam infraestrutura, impactos ambientais e preparação para desastres.

O geólogo Osiris de León tem oferecido uma perspectiva regional, discutindo as lições que esse desastre traz para a República Dominicana e o restante do Caribe, além de abordar questões sobre risco sísmico, preparação e recuperação.

Para quem quiser se aprofundar na história sísmica da Venezuela, diversos estudos oferecem contexto valioso para entender o risco de terremotos no país.

Após a Tragédia de Vargas, em 1999, pesquisadores japoneses e venezuelanos realizaram levantamentos geológicos, investigações sísmicas e mapas de risco para identificar as áreas mais vulneráveis ao longo da costa norte. Um estudo posterior, o Projeto de Microzoneamento Sísmico de Caracas (2005–2009), analisou as condições do solo, a atividade sísmica e os impactos esperados de terremotos em toda a capital, identificando as áreas de maior risco sísmico e oferecendo recomendações para a preparação diante de desastres e o planejamento urbano.

Consequências: pessoas desaparecidas, ajuda humanitária e esforços de socorro Após as primeiras horas de resposta emergencial, milhares de famílias se veem diante de perguntas difíceis: onde estão seus entes queridos? Quem está recebendo assistência? Como as comunidades vão se recuperar?

Rastrear pessoas desaparecidas e o apoio humanitário se tornou uma parte crucial da resposta ao terremoto. O Venezuela Te Busca é uma das várias iniciativas que ajudam famílias a compartilhar e buscar informações sobre pessoas ainda não localizadas.

Ao mesmo tempo, organizações e especialistas monitoram a entrega de ajuda e alertam sobre os desafios que estão por vir. A Transparencia Venezuela criou a Ruta de Ayuda Humanitaria, uma plataforma que acompanha os esforços de assistência humanitária e fornece informações sobre o apoio disponível. Susana Raffalli, especialista em segurança alimentar e emergências humanitárias, tem explicado como o terremoto pode aprofundar vulnerabilidades já existentes em um país que já enfrenta necessidades humanitárias significativas.

Jornalistas também têm documentado a realidade do período pós-terremoto. O El País reportou a partir das comunidades afetadas, cobrindo os esforços de resgate liderados por famílias e vizinhos, além de questionamentos sobre a resposta institucional. Em entrevistas realizadas nas primeiras 72 horas após o terremoto, jornalistas relataram ouvir preocupações generalizadas de sobreviventes quanto ao acesso limitado aos serviços oficiais de resgate e emergência, o que reforça a importância dos esforços de resposta liderados pelas próprias comunidades.

Após um desastre, alguns dos maiores impactos costumam recair sobre comunidades cujas necessidades já eram negligenciadas. Diversas organizações estão trabalhando para garantir que idosos, mulheres, crianças e outros grupos vulneráveis não sejam esquecidos na resposta ao terremoto.

A Convite tem documentado e apoiado a população idosa na Venezuela, um grupo que já enfrentava grandes desafios durante a prolongada emergência humanitária do país e que agora enfrenta riscos adicionais após o terremoto.

A Redsónadoras tem oferecido cobertura de diversas cidades afetadas sob uma perspectiva de gênero, ao mesmo tempo em que apoia os esforços de resposta no local. Suas integrantes ajudam a coordenar iniciativas para garantir que mulheres afetadas pelo desastre tenham acesso a kits de higiene menstrual e outros suprimentos essenciais.

A Cecodap tem como foco os direitos das crianças e vem fornecendo informações sobre como o terremoto está afetando a infância na Venezuela, uma população já vulnerável em razão de anos de desafios humanitários e preocupações com direitos humanos. A organização também oferece orientações para jornalistas e organizações sobre como noticiar casos envolvendo crianças afetadas sem expô-las ou causar danos adicionais.

Global Voices

Conteúdo republicado — por Gabriela Mesones Rojo

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