O Que Aconteceu
O Departamento de Defesa endureceu as exigências de segurança cibernética para empresas de tecnologia que vendem serviços de computação em nuvem para o Pentágono.
As atualizações, divulgadas em setembro de 2025, proíbem fornecedores de TI de usar funcionários baseados na China para trabalhar nos sistemas de computador do departamento e exigem que as empresas mantenham um rastro digital da manutenção realizada por seus engenheiros estrangeiros.
Contexto
As mudanças seguem uma investigação da ProPublica que expôs como a Microsoft usou engenheiros baseados na China para manter sistemas de computador do governo por quase uma década — uma prática que deixou alguns dos dados mais sensíveis do país vulneráveis a ataques do seu principal adversário cibernético.
Supervisores baseados nos EUA, conhecidos como “escoltas digitais”, deveriam servir como um controle sobre esses funcionários estrangeiros, mas a apuração da ProPublica encontrou que eles frequentemente não tinham a experiência necessária para supervisionar engenheiros com habilidades técnicas muito mais avançadas.
O Que Disseram
O Departamento de Defesa agora diz em seu Guia de Requisitos de Segurança que só “pessoal de países não adversos” pode trabalhar em seus sistemas de nuvem, e que as escoltas supervisionando esses trabalhadores estrangeiros “devem ser tecnicamente qualificadas no código, sistema ou tecnologia a que estão dando acesso”.
Além disso, fornecedores de nuvem devem manter registros de auditoria detalhados, um rastro digital de ações nos sistemas de computador. Os registros “devem incluir identificação de quem escolta e de quem é escoltado”, incluindo país de origem, além de detalhes dos comandos executados e configurações alteradas.
Por Que Isso Importa
Até a reportagem da ProPublica, altos funcionários do Pentágono disseram que não sabiam do sistema de escoltas digitais da Microsoft, que a empresa desenvolveu como uma forma de contornar uma exigência do Departamento de Defesa de que pessoas lidando com dados sensíveis fossem cidadãos americanos ou residentes permanentes.
Especialistas em segurança cibernética e inteligência disseram à ProPublica que o arranjo representa riscos à segurança nacional, dado que as leis chinesas dão às autoridades do país amplos poderes para coletar dados. Membros do Congresso pediram ao Departamento de Defesa que reforçasse suas exigências de segurança, enquanto criticavam a Microsoft pelo que alguns republicanos chamaram de “traição nacional”.
O Pentágono agora conduz uma investigação sobre o programa de escoltas digitais, com foco nos engenheiros da Microsoft baseados na China.
Resposta
Depois da reportagem da ProPublica, a Microsoft anunciou em julho de 2025 que deixaria de usar engenheiros baseados na China para atender os sistemas de nuvem do Departamento de Defesa. Em um comunicado, um porta-voz disse que a empresa estava comprometida em implementar as novas exigências do departamento.
“Nosso compromisso com a segurança nacional é fundamental, e continuamos focados em oferecer os serviços mais seguros possíveis para o governo dos EUA”, disse o porta-voz. “Recentemente implementamos mudanças no nosso modelo de suporte ao Departamento, e continuaremos trabalhando com nossos parceiros de segurança nacional para avaliar e ajustar nossos protocolos de segurança à luz das novas diretrizes.”
Matéria original em inglês da ProPublica, traduzida para o português.











