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Amazonas

Sem a Moratória da Soja, Amazônia pode perder 1,4 milhão de hectares de floresta, aponta estudo

3 min de leitura

Uma área de floresta equivalente a quase dez vezes o município de São Paulo (ou 1,4 milhão de hectares) é o que a Amazônia poderá perder nos próximos dez anos com o desmantelamento da Moratória da Soja, pacto voluntário que vetava a compra do grão cultivado em áreas desmatadas. Criada em 2006, a aliança perdeu força este ano com a desfiliação de empresas e entidades do setor.

As perspectivas de desmatamento em um cenário sem o acordo são tema de uma nova análise, publicada em julho. Segundo o artigo, a perda adicional de vegetação para a soja até 2036 representaria cerca de 17% da área total desmatada na Amazônia brasileira na última década.

Os autores também chamam a atenção para o possível aumento das emissões de gases de efeito estufa: o estudo estima que 745 milhões de toneladas adicionais de CO2 equivalente (MtCO2e) seriam lançadas na atmosfera no mesmo período — uma quantidade semelhante ao total emitido anualmente em todo o território do Canadá, segundo relatórios da União Europeia.

A análise aponta que o fim da moratória expõe áreas críticas do bioma à expansão agrícola e destaca a propensão ao desmatamento em terras privadas, onde 9,1 milhões de hectares de áreas aptas ao cultivo da soja poderiam ser derrubados legalmente nos próximos anos, conforme previsto pelo Código Florestal. Os números são ainda mais expressivos em florestas públicas não destinadas, onde mais de 28 milhões de hectares (o equivalente ao território do Equador) “sofrerão pressão adicional decorrente da especulação fundiária”.

De acordo com os pesquisadores, o fim do acordo resultaria em impactos ambientais que vão além das discussões que cercam a sojicultura.

“Apesar de a Moratória da Soja ser um compromisso voltado para o setor da soja e para impedir o desmatamento diretamente relacionado à commodity — a medida teve êxito nesse propósito —, o artigo mostra que houve outro efeito mais potente e interessante”, disse Tiago Reis, especialista em conservação da WWF-Brasil e coautor da investigação. “[A moratória] também minou o desmatamento ilegal, a especulação fundiária, os conflitos sociais e os conflitos por terra.”

Citando um estudo anterior, o artigo informa que o pacto “reduziu o desmatamento em 35% (1,8 milhão de hectares) em áreas sob risco de expansão da soja apenas nos seus primeiros 10 anos”, incluindo regiões fora das propriedades de cultivo. Segundo Reis, sem essa “barreira” criada pela moratória, diferentes pontos da Amazônia estarão mais vulneráveis à degradação.

Desde que firmas e representantes do setor, como a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), abandonaram o acordo no início de 2026, diferentes projeções indicam aumentos significativos na derrubada da floresta. A Mongabay também analisou como o fim da moratória pode afetar as comunidades indígenas do Brasil.

Mongabay Brasil

Conteúdo republicado — por Lucas Berti

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