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Economia

Quanto vai custar reconstruir a Venezuela após os terremotos?

8 min de leitura

Prédio desabado em Tanaguarena, uma das áreas mais atingidas em La Guaira, epicentro do desastre. Foto de Gabriela Mesones Rojo, 2026; usada com permissão.

Três semanas após os terremotos gêmeos atingirem a região costeira da Venezuela, o número oficial de mortos subiu para quase 5.000, enquanto cerca de 18.000 pessoas permanecem desabrigadas. À medida que a resposta emergencial imediata dá lugar a esforços de recuperação de longo prazo, a atenção se volta cada vez mais para os recursos financeiros necessários para atender às necessidades humanitárias da catástrofe, mas também para reconstruir as moradias, a infraestrutura e a economia do país.

As avaliações iniciais se concentraram, em grande parte, em estimar os danos físicos diretos a edifícios, infraestrutura e outros ativos tangíveis. Essas estimativas, porém, não captam as perdas econômicas indiretas resultantes de interrupções na produção, no comércio, no emprego e nos serviços públicos. À medida que informações mais completas se tornam disponíveis, espera-se, portanto, que o impacto econômico total estimado do desastre aumente substancialmente.

Como são estimadas as perdas causadas por desastres?

O padrão internacionalmente reconhecido para estimar o impacto econômico de desastres é a Metodologia de Avaliação de Desastres, desenvolvida pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), pioneira nesse campo. O modelo foi adotado desde então por grandes instituições internacionais, incluindo o Banco Mundial (BM) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Sua terceira edição, publicada em 2014 em colaboração com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), oferece uma abordagem abrangente para estimar não apenas os efeitos diretos dos desastres, mas também seus impactos socioeconômicos, tanto no nível macroeconômico quanto no nível domiciliar, além dos recursos financeiros necessários para a recuperação e a reconstrução.

Segundo essa metodologia, os impactos de um desastre são classificados em três categorias: danos, perdas e custos adicionais. Danos se referem à destruição de ativos físicos, como edifícios, instalações, máquinas, equipamentos, infraestrutura e estoques. Eles são avaliados de acordo com seu custo estimado de reposição a preços anteriores ao desastre.

Perdas representam o valor de bens e serviços que deixam de ser produzidos ou entregues desde o momento do desastre até a plena recuperação. Estimar essas perdas exige comparar a trajetória pós-desastre dos setores econômicos com um cenário hipotético em que o desastre não tivesse ocorrido. Como resultado, essas estimativas dependem de uma série de suposições e estão inerentemente sujeitas a incertezas.

Custos adicionais incluem gastos extraordinários feitos por governos e pelo setor privado em resposta ao desastre, como suprimentos médicos de emergência, assistência humanitária e outros bens e serviços essenciais.

Por fim, a metodologia estima as necessidades de financiamento para recuperação e reconstrução, que abrangem os custos das políticas públicas e dos investimentos necessários para restaurar as condições econômicas e sociais normais. Isso inclui a reconstrução de infraestrutura e serviços básicos, além do financiamento de programas de assistência alimentar, transferências de renda e outras formas de apoio às famílias afetadas.

Qual é a dimensão das perdas econômicas causadas pelos terremotos?

Ainda não sabemos a real magnitude da destruição. Embora o governo venezuelano afirme que mais de 2.000 unidades de infraestrutura sofreram danos graves, imagens de satélite da Nasa mostram que o número é mais próximo de 30.000.

Apenas dois dias depois de os terremotos gêmeos atingirem o país, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) divulgou uma avaliação preliminar dos danos físicos diretos a moradias e outros ativos, usando imagens de satélite e Sistemas de Informação Geográfica (SIG) baseados em inteligência artificial, por meio de sua metodologia de Análise Digital Rápida (RAPIDA). A avaliação estimou as perdas diretas em US$ 6,7 bilhões, com uma faixa entre US$ 4,7 bilhões e US$ 8,7 bilhões, o equivalente a aproximadamente 6% do PIB da Venezuela.

O economista venezuelano Asdrúbal Oliveros argumenta que os danos podem ser mais extensos, estimando perdas diretas entre US$ 7 bilhões e US$ 9 bilhões. Ele sugere ainda que o custo total da reconstrução pode chegar a US$ 12 bilhões a US$ 15 bilhões, refletindo não apenas a reposição de ativos danificados, mas também os custos mais amplos da recuperação e reconstrução econômica.

Em contraste, o Escritório das Nações Unidas para Redução de Risco de Desastres (UNDRR) produziu uma estimativa significativamente mais alta. Sua avaliação analítica situa os danos físicos diretos em aproximadamente US$ 37 bilhões — quase 40% do PIB da Venezuela.

Cerca de dois terços dessas perdas são atribuídos a danos em edifícios residenciais, comerciais, educacionais, de saúde, governamentais e industriais, enquanto o terço restante corresponde à infraestrutura crítica, incluindo redes de telecomunicações, rodovias, portos, aeroportos e outros ativos públicos.

Danos locais, consequências nacionais

Embora seis estados tenham sido afetados, a maior parte dos danos físicos causados pelos terremotos gêmeos está concentrada no estado de La Guaira, além de partes de Caracas, a capital. Consequentemente, espera-se que as perdas econômicas resultantes fiquem, em grande medida, restritas a uma região que não representa uma parcela significativa da capacidade produtiva da Venezuela, principalmente nos setores de petróleo, manufatura e agricultura.

No nível local, porém, o impacto é substancial. Segundo um informe de políticas publicado pela ThinkAnova em colaboração com o Microsoft AI for Good Research Lab, aproximadamente sete em cada dez edifícios danificados em La Guaira estão localizados em Catia La Mar, enquanto a gravidade dos danos e o número de famílias afetadas em Caraballeda são particularmente altos. Esses impactos também interromperam uma das principais atividades econômicas da região: o turismo.

Oliveros identifica moradia, infraestrutura, comércio, transporte e logística como os setores mais gravemente afetados. Os danos à pista principal do Aeroporto Internacional Simón Bolívar, em Maiquetía — o principal portão de entrada internacional do país —, forçaram seu fechamento temporário. Embora as operações tenham sido parcialmente retomadas, o aeroporto ainda não voltou à capacidade total, o que levou companhias aéreas a redirecionar voos para Valência e Barcelona, remodelando a atividade econômica nessas regiões.

Reconstruindo sob severas restrições financeiras

Dadas as condições econômicas frágeis do país, reconstruir a Venezuela representa um desafio extraordinário. Depois de uma contração de cerca de 75% na produção econômica e de um período de hiperinflação que superou 300.000% ao ano, o colapso no valor do bolívar venezuelano corroeu severamente a renda das famílias, ao mesmo tempo em que reduziu drasticamente tanto a capacidade de crédito do setor bancário quanto o mercado de seguros. Essas fragilidades estruturais limitam significativamente a capacidade do país de financiar a recuperação e a reconstrução.

O acesso a financiamento externo também é limitado. Desde 2017, a Venezuela e a estatal petrolífera PDVSA permanecem em situação de calote em relação à sua dívida externa, que o Financial Times estimou em aproximadamente US$ 240 bilhões. Isso efetivamente fechou o acesso aos mercados internacionais de capital.

Embora Calixto Ortega, vice-presidente para a Área Econômica, presidente do Banco da Venezuela e governador da Venezuela junto ao Fundo Monetário Internacional, tenha afirmado que as negociações para reestruturar a dívida externa do país continuam apesar da emergência, o economista venezuelano Leonardo Vera argumenta que a reestruturação da dívida, por si só, não fornecerá os recursos necessários para a reconstrução. Em vez disso, ele aponta para mecanismos alternativos de financiamento, incluindo fundos dedicados à reconstrução, assistência financeira multilateral e doações tanto internacionais quanto domésticas.

O governo já anunciou várias iniciativas iniciais de financiamento. A presidente interina Delcy Rodríguez revelou um fundo de reconstrução com uma alocação inicial de US$ 200 milhões provenientes de ativos venezuelanos mantidos no FMI, destinado a financiar a reconstrução de moradias, infraestrutura e hospitais. Da mesma forma, o Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF) criou um fundo para mobilizar recursos públicos, privados e internacionais em apoio à resposta emergencial e à reconstrução de longo prazo.

Apesar desses anúncios, os recursos comprometidos até agora ainda representam apenas uma pequena fração dos valores que as estimativas preliminares sugerem serem necessários para reconstruir totalmente as regiões afetadas e restaurar a atividade econômica.

Global Voices

Conteúdo republicado — por Mario Valdivia

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