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O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) publicou, em junho, uma portaria que estabelece, pela primeira vez, uma lista nacional de fungos ameaçados de extinção. A medida reconhece 24 espécies brasileiras de fungos sob algum grau de ameaça — ao todo, 21 são classificadas como “vulneráveis” e outras três como “em perigo”.

Essa ação concede à funga brasileira o mesmo peso legal que a fauna e a flora. Pesquisadores da área defendem que a inclusão dos fungos em ações de conservação é fundamental para a proteção dos ecossistemas do país. Historicamente, segundo eles, os fungos têm ficado de fora das políticas ambientais.

A portaria proíbe a coleta, o transporte, o armazenamento, o manejo, o beneficiamento e a comercialização das espécies ameaçadas. A coleta e o manejo para fins de pesquisa, por sua vez, serão permitidos — desde que devidamente licenciados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O descumprimento das regras poderá resultar em sanções previstas na Lei de Crimes Ambientais.

A lista será atualizada à medida que novos estudos e dados de monitoramento ampliem o conhecimento sobre o estado de conservação dos fungos brasileiros. Os critérios técnicos utilizados nas avaliações serão disponibilizados pelo MMA e pelo Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora), sob coordenação do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

Segundo Elisandro Ricardo Drechsler-Santos, biólogo especializado em fungos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), cientistas avaliaram 123 espécies de fungos na lista global da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN); cerca de 50 delas estão ameaçadas em algum nível. Após a inclusão de apenas 24 espécies na lista brasileira, o pesquisador estima que cerca de outras 20 podem ser adicionadas em uma próxima versão da portaria nacional, assim que suas informações forem inseridas e regularizadas nas bases de dados oficiais.

O pesquisador Kelmer Cunha, também da UFSC, disse à Mongabay que a diferença entre a lista brasileira e a global ocorre devido a divergências nos critérios técnicos. Enquanto a IUCN aceita registros que delimitam uma área geral no mapa (polígono) onde a espécie habita, o CNCFlora exige as coordenadas geográficas exatas (pontos de latitude e longitude) de onde o fungo foi encontrado em campo.

Assim, diante dos desafios para reunir dados precisos sobre todas as espécies de fungos ameaçadas, pesquisadores encaminharam ao governo as 24 que já atendiam ao padrão de informações exigido pelo CNCFlora. O envio ocorreu em dezembro de 2024 e passou por processos internos até a publicação da lista.

Mongabay Brasil

Conteúdo republicado — por Mateus Mendonça

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