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Jogo Perigoso: o Brasil das Bets


Não é azar, é de propósito: o cálculo por trás das bets para que o brasileiro perca sempre


Capítulo 6 de 10

18 min de leitura

Esta reportagem é parte de uma investigação especial daAgência Públicafinanciada pelos nossos Aliados, sem nenhum dinheiro de bet. Apoie mais reportagens como essaclicando aqui.

Chega um momento em que você pensa “já perdi muito”, para e avalia: o prêmio prometido já está gigante e prestes a “estourar” após repetidas tentativas. Continua, clica mais pausadamente, afinal, talvez seja a hora de parar. A hesitação é computada em segundos pela interface de sua plataforma de apostas preferida. Chega uma oferta de bônus, cashback para recarga, lembrete do ganho acumulado. No Brasileirão, um gol inesperado muda as chances para todo mundo. Agora, o prêmio é cinco vezes superior se acertar autor do gol, resultado e número de cartões, mas, apenas se simultaneamente o seu arquirrival empatar em partida fora. Luzes, brilho, recompensas fáceis, emoção ao alcance das mãos. Você acredita na sorte, em seu tino futebolístico, no conhecimento que quase ninguém dispõe, apenas você. Só mais uma fezinha. As companhias agradecem.

Cada clique, tempo de sessão, saldo disponível, saques anteriores, número de plataformas em que é cadastrado, volume e velocidade entre apostas. Todos esses dados são extraídos e transformados em uma experiência personalizada, pensada para te manter jogando, com “quase ganhos” estratégicos e vitórias menores eventuais. O objetivo, lucro imediato, é o mesmo nas duas pontas da equação. De seu lado, ansiedade e esperança fazem parte do serviço. Do outro, a matemática opera sua mágica. E, invariavelmente, você ganhando ou perdendo, as casas ganham mais.

“O ecossistema das bets é sustentado por uma infraestrutura de captura de dados que rastreia comportamento em tempo real, incluindo informações como tempo de sessão, padrões de aposta, momentos de hesitação, intenção de saída etc. Esses dados retroalimentam sistemas que disparam notificações e ofertas nos momentos de maior vulnerabilidade do usuário”, explica o professor de mídias digitais da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Daniel Marques.

“O RTP é definido a partir da expectativa matemática do jogo. Primeiro, calculamos todas as probabilidades e pagamentos possíveis para entender quanto o sistema devolve ao jogador no longo prazo. A partir disso, ajustamos a margem da casa até atingir o retorno desejado [por ela], por exemplo 96% ou 97%. Depois entra a parte mais importante: a volatilidade”, explica o desenvolvedor de jogos Leandro Melo da Costa.

O profissional detalha: “Em um jogo de baixa volatilidade, o saldo do jogador oscila menos. Em um de alta volatilidade, as oscilações são muito maiores, com períodos longos de perda seguidos por ganhos raros e expressivos. […] O equilíbrio entre frequência, tamanho dos ganhos e momentos de quase vitória é o que cria a percepção de ‘chance real’ no curto prazo, mesmo mantendo a vantagem estatística da casa no longo prazo”.

Em outras palavras, a plataforma ganha uma parte de cada aposta feita e lucra com o conjunto de tudo que é jogado – aquela sensação de que você deu prejuízo à casa é apenas a ilusão satisfatória de receber uma fatia do bolo que a casa devora quase todo, e com facilidade.

E, no caso das bets, “sensação” é uma palavra-chave desde o primeiro momento em que você ingressa no ambiente, a começar pelo modo de pagamento. E é aí que o Pix, uma revolução econômica brasileira, também serve de facilidade para as casas de aposta.

“O RTP é definido a partir da expectativa matemática do jogo. Primeiro, calculamos todas as probabilidades e pagamentos possíveis para entender quanto o sistema devolve ao jogador no longo prazo. A partir disso, ajustamos a margem da casa até atingir o retorno desejado [por ela], por exemplo 96% ou 97%. Depois entra a parte mais importante: a volatilidade”, explica o desenvolvedor de jogos Leandro Melo da Costa.

O profissional detalha: “Em um jogo de baixa volatilidade, o saldo do jogador oscila menos. Em um de alta volatilidade, as oscilações são muito maiores, com períodos longos de perda seguidos por ganhos raros e expressivos. […] O equilíbrio entre frequência, tamanho dos ganhos e momentos de quase vitória é o que cria a percepção de ‘chance real’ no curto prazo, mesmo mantendo a vantagem estatística da casa no longo prazo”.

Em outras palavras, a plataforma ganha uma parte de cada aposta feita e lucra com o conjunto de tudo que é jogado – aquela sensação de que você deu prejuízo à casa é apenas a ilusão satisfatória de receber uma fatia do bolo que a casa devora quase todo, e com facilidade.

E, no caso das bets, “sensação” é uma palavra-chave desde o primeiro momento em que você ingressa no ambiente, a começar pelo modo de pagamento. E é aí que o Pix, uma revolução econômica brasileira, também serve de facilidade para as casas de aposta.

Com RTP baixo, a probabilidade de vitória é menor, mas as recompensas são maiores. Normalmente, as bets operam com RTPs maiores, entre 94% e 98%, para que os ganhos sejam mais módicos, porém mais frequentes, o que estimula a adesão. Ou seja, as empresas podem ganhar menos por cada aposta, mas se beneficiam de um volume e frequência normalmente maiores de seus usuários.

Os valores de RTP são fixos para cada operação certificada, ou seja, para cada nível de RTP, há uma autorização específica feita pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, impedindo mudanças injustas por parte das empresas.

“O RTP é definido a partir da expectativa matemática do jogo. Primeiro, calculamos todas as probabilidades e pagamentos possíveis para entender quanto o sistema devolve ao jogador no longo prazo. A partir disso, ajustamos a margem da casa até atingir o retorno desejado [por ela], por exemplo 96% ou 97%. Depois entra a parte mais importante: a volatilidade”, explica o desenvolvedor de jogos Leandro Melo da Costa.

O profissional detalha: “Em um jogo de baixa volatilidade, o saldo do jogador oscila menos. Em um de alta volatilidade, as oscilações são muito maiores, com períodos longos de perda seguidos por ganhos raros e expressivos. […] O equilíbrio entre frequência, tamanho dos ganhos e momentos de quase vitória é o que cria a percepção de ‘chance real’ no curto prazo, mesmo mantendo a vantagem estatística da casa no longo prazo”.

Em outras palavras, a plataforma ganha uma parte de cada aposta feita e lucra com o conjunto de tudo que é jogado – aquela sensação de que você deu prejuízo à casa é apenas a ilusão satisfatória de receber uma fatia do bolo que a casa devora quase todo, e com facilidade.

E, no caso das bets, “sensação” é uma palavra-chave desde o primeiro momento em que você ingressa no ambiente, a começar pelo modo de pagamento. E é aí que o Pix, uma revolução econômica brasileira, também serve de facilidade para as casas de aposta.

“A abstração do dinheiro é uma estratégia eficaz de apagamento do risco, pois o custo psicológico de cada aposta diminui”, explica o professor de mídias digitais da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) Daniel Gois Rabelo Marques.

E é por isso que você pode fazer recargas facilitadas, com biometria, em apenas um clique, ou que compra tokens, fichas ou créditos fictícios para jogar, em vez de ter exposto, na tela, de fato o dinheiro que já gastou (ou, na prática, perdeu). “No caso do Pix, o depósito financeiro é transformado em um gesto corriqueiro, com pouco atrito, pouca pausa e, consequentemente, pouco confronto com o valor real”, completa o especialista.

O comportamento esperado do usuário já é previsto, estudado e estimulado antes mesmo que ele comece a apostar, ainda na captação de jogadores e até mesmo no depósito de dinheiro ou créditos para engajar com as plataformas, e isso é ciência aplicada.

“Quando se fala em jogos de azar, o único tipo de jogador que existe é o sortudo, pois toda a vitória, derrota, ganhos ou perdas são frutos de uma estatística que sempre favorece a banca, por isto existe o coeficiente de taxa de retorno em todos os jogos.

A tendência é o jogador sempre perder graças à matemática dos grandes números”, classifica o engenheiro civil e desenvolvedor Matheus Augusto Estrella, antes de sintetizar: “A própria confecção destes softwares são feitas ao se apoiar nas fraquezas do usuário, sendo intrinsecamente predatórios”.

Do lado da regulação, a fiscalização efetiva é um dos caminhos para evitar que o ambiente predatório se imponha. Do lado do cidadão comum, potencialmente usuário, resta compreender as técnicas utilizadas para não ser presa fácil do ecossistema que navega.

As informações desta reportagem incomodam um mercado bilionário. AAgência Públicanão aceita dinheiro de casas de apostas e investiga quem lucra com o vício alheio. Se esta investigação te indignou, apoie o jornalismo independente e fortaleça esse trabalho.

Na matemática utilizada pelas plataformas, o algoritmo utiliza as chances de um evento para definir a probabilidade de um episódio ocorrer, as chamadasodds: “a empresa nunca trabalha com odds ‘justas’”. A frase é do desenvolvedor de jogos Leandro Melo da Costa e parece atualizar um ditado popular da cultura dos cassinos: “A casa sempre ganha”.

Na selva estatística e financeira das bets, um ensinamento deveria ser fundamental antes do usuário começar a apostar, já que o indicador ofertado nunca é, de fato, o que aquela aleatoriedade valeria. Isso porque o evento é convertido em um multiplicador de pagamento que já inclui a margem da casa embutida. Por exemplo, as odds reais de 2 passam a ser ofertadas a 1,8. No conjunto dos cenários oferecidos, essa diferença garante que a plataforma lucre, mesmo que muitas pessoas acertem o cenário apostado.

“O teto de lucro da plataforma é definido principalmente por três fatores: margem aplicada nas odds, volume de apostas e controle de exposição financeira”, explica Costa. A programação, nesse caso, é dinâmica e automaticamente vai se ajustando ao longo do tempo para garantir ganhos para a plataforma mesmo quando o cenário muda. “Embora o RTP final fique matematicamente definido em configuração, a distribuição dos ganhos é controlada por algoritmos probabilísticos dentro do código do jogo. […] Quando existe risco elevado, o algoritmo pode reduzir odds, limitar aposta, fechar mercados ou recalcular preços em tempo real”, completa.

Na matemática utilizada pelas plataformas, o algoritmo utiliza as chances de um evento para definir a probabilidade de um episódio ocorrer, as chamadas odds: “a empresa nunca trabalha com odds ‘justas’”. A frase é do desenvolvedor de jogos Leandro Melo da Costa e parece atualizar um ditado popular da cultura dos cassinos: “A casa sempre ganha”.

Na selva estatística e financeira das bets, um ensinamento deveria ser fundamental antes do usuário começar a apostar, já que o indicador ofertado nunca é, de fato, o que aquela aleatoriedade valeria. Isso porque o evento é convertido em um multiplicador de pagamento que já inclui a margem da casa embutida. Por exemplo, as odds reais de 2 passam a ser ofertadas a 1,8. No conjunto dos cenários oferecidos, essa diferença garante que a plataforma lucre, mesmo que muitas pessoas acertem o cenário apostado.

“O teto de lucro da plataforma é definido principalmente por três fatores: margem aplicada nas odds, volume de apostas e controle de exposição financeira”, explica Costa. A programação, nesse caso, é dinâmica e automaticamente vai se ajustando ao longo do tempo para garantir ganhos para a plataforma mesmo quando o cenário muda. “Embora o RTP final fique matematicamente definido em configuração, a distribuição dos ganhos é controlada por algoritmos probabilísticos dentro do código do jogo. […] Quando existe risco elevado, o algoritmo pode reduzir odds, limitar aposta, fechar mercados ou recalcular preços em tempo real”, completa.

Após você perder, o código se volta à personalização a partir de dados de perda em evento único, tempo de sessão, padrão emocional de aposta, total perdido e probabilidade de recompra de créditos. “A partir disso, o sistema pode disparar estímulos quase imediatos, como free bets, cashback, notificações, odds turbinadas, sugestões de nova entrada ou [mensagens do tipo] ‘você esteve muito perto’”, conta.

“Em iGaming, grande parte do trabalho técnico não está apenas na matemática do jogo, mas em sistemas de retenção, comportamento e recorrência que mantêm o usuário engajado após perdas emocionalmente impactantes”, conclui o desenvolvedor.

As bets se apresentam em formatos diversos, conhecidos como slots, crashes, apostas esportivas, mas muitas vezes funcionam conectadas em um ambiente de aplicativos que compartilham carteiras únicas com recursos de cassinos. E para estimular a frequência das apostas, é necessário manter o usuário engajado – e nada melhor para isso do que a sensação de ganho inicial.

“Isto não é algo difícil de ser implementado para quem possui os dados estatísticos do jogador em tempo real, muitas empresas estimulam que o jogador comece ganhando justamente para depois começarem perdas programadas”, afirma o engenheiro civil e desenvolvedor Matheus Estrella.

É possível que você conheça (ou seja) um grande entendedor de futebol e as apostas esportivas sejam sua “especialidade” e principal recurso para “quebrar a banca”. Na prática, as casas de apostas não sentem o impacto desse perfil no dia a dia. Ainda assim, elas usam recursos de “segurança”, que supostamente preveniriam perdas para os usuários como forma de, no fim das contas, arrecadar mais.

Um grande exemplo é a lógica do cashout, quando você busca travar parte dos ganhos ou reapostar parte do que já estava comprometido para tentar diminuir perdas de eventos em andamento – um gol surpresa em qualquer fim de semana, que estraga o seu churrasco (e, nesse caso, também a carteira). E daí você salva parte da aposta ou mesmo arrisca no resultado contrário à sua escolha original, tudo para diminuir perdas.

“Para quem domina e entende essa metodologia, o cashout é uma ferramenta legítima e que pode gerar lucro. Só que a casa de aposta não é boba. Ela sabe que a grande maioria dos jogadores não entende esse mecanismo. E é exatamente por isso que ela acaba lucrando muito mais. […] Muitos jogadores aceitam o cashout em vez de aguardar o fim do evento porque a espera gera muito cortisol, muita adrenalina, muita dopamina — gera tensão. Então, na hora do calor emocional, as pessoas preferem sair antes. E essa saída antecipada, de fato, é uma forma da casa de aposta se proteger”, explica o especialista de cassinos Carlos Frederico Amaral.

No fim das contas das bets, as perdas se fazem regra, mas a vitória – ou quase ganho – têm sabor estimulante, recheado de adrenalina, à base de muita ciência e planejamento, mesmo quando você acha que está sendo o mais esperto do recinto.

O conceito de captura afetiva diz respeito a um ecossistema desenhado para influenciar e engajar usuários. E foi para tentar dar materialidade ao uso desse conceito que pesquisadores da UFRB e da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Daniel Marques e Thiago Falcão, respectivamente, entrevistaram profissionais da área de desenvolvimento de jogos digitais para tratar sobre o papel ativo que desempenham nessa indução e as situações éticas que envolvem a questão.

Confira oartigoDesign persuasivo e mediação tecnológica em plataformas digitais de apostas: práticas e dilemas éticos de designers e desenvolvedores

Já entendemos até aqui que a regra é que a Casa sempre ganha, e que o acaso define quando você pode ganhar ou perder, mas há um terceira parte, elemento moderno nessa equação, que celebra qualquer desses cenários: os influenciadores. No ecossistema das bets, eles são classificados como “afiliados” e estão sempre distribuindo aquele link cheio de vantagens e bônus para agregar mais jogadores. Não é por acaso.

“Os links de afiliados funcionam como um hyperlink rastreável. A gente consegue acompanhar por onde o link está sendo clicado, por onde as contas estão sendo abertas, os FTDs (First Time Deposits) e qual é o trajeto que esse jogador faz dentro da plataforma depois de entrar pelo link”, explica o especialista em cassinos Carlos Amaral.

“O padrão tradicional do mercado é um modelo híbrido. O afiliado recebe uma parte fixa e uma porcentagem em cima do GGR — ou seja, em cima do quanto o jogador indicado por ele perde”, adiciona o especialista. GGR é a métrica utilizada pelas casas de apostas para representar suas receitas brutas e é utilizada para calcular as destinações sociais, incluindo os impostos.

Esse modelo híbrido é o que o mercado chama de revshare (Revenue Share Agreement), uma espécie de comissão, que normalmente é calculada diretamente sobre as perdas dos usuários que clicaram no link do influenciador ou segue acordos prévios mais arrojados envolvendo metas e bônus. Um exemplo que se tornou público foi o da influenciadora Virgínia Fonseca, que, durante a CPI das Bets no Senado, evidenciou que seu contrato com uma grande empresa de apostas incluía um “bônus” de 30% se a casa duplicasse seus ganhos no período em que ela fazia a divulgação – como já sabemos a essa altura, isso se dá com uma parte de cada aposta e, mais massivamente, em tudo que se perde, já que a casa ganha sempre.

Os influenciadores frequentemente aparecem demonstrando os jogos, exibem bônus e quase sempre aparecem com saldo significativo de ganhos, gravando reações sobre o montante. Amaral conta que esse é um recurso de marketing de experimentação comum no ambiente das apostas.

“É um modelo que existe em vários formatos, em aplicativos paralelos, onde o influenciador consegue jogar com uma banca infinita. Ele aparece jogando como se estivesse com muito dinheiro — parece que está apostando R$ 100 mil reais, mas na verdade são 100 mil fichas, sem valor real”. A vontade de participar e também ganhar, no entanto, é mais que verdadeira e muita gente aproveita o convite bonificado para se aventurar, o que o especialista em cassino entende como previsível e de praxe: “Está comprovado: quando você mexe com os pecados capitais, você converte mais.”

Seja para controlar a indução dos usuários a perdas ou para garantir a integridade do ambiente de apostas, todos os especialistas ouvidos pelaPúblicapõem as fichas na fiscalização governamental e em uma regulação mais detalhada para impedir excessos.

“Hoje em dia, ele está até mais justo do que já foi. Por dois motivos. Primeiro, porque o mercado está regulamentado. Um mercado regulado é, por definição, mais justo do que era antes — antigamente, era o velho oeste, o ‘mato’”, defende Carlos Amaral.

“Como profissional, acredito que a responsabilidade não está apenas no operador, mas também na regulação, educação financeira e maturidade do mercado como um todo. O mesmo sistema que pode ser usado de forma abusiva também pode ser desenvolvido com foco em transparência, controle e jogo responsável”, opina o desenvolvedor Leandro Melo da Costa.

Para o professor de mídias digitais da UFRB Daniel Marques, apenas a regulação ainda não é suficiente para garantir segurança para os usuários. “A Lei 14.790/2023 e a Portaria SPA/MF nº 722/2024 avançaram ao exigir avisos de jogo responsável, mecanismos de autoexclusão e limitação de gasto, mas ainda não é suficiente. Acredito que é possível disputar o design dessas plataformas, mas isso exige um marco regulatório que incorpore parâmetros éticos para o design e não apenas para o conteúdo exibido”, avalia.

As bets usam matemática, odds com margem da casa, design persuasivo e dados de comportamento para manter o jogador apostando até perder no longo prazo.

Sim. A reportagem explica que a estrutura do jogo é montada para dar vantagem estatística à casa, mesmo quando o usuário tem ganhos pontuais.

RTP é o retorno teórico ao apostador. Quanto menor o RTP, maior tende a ser a vantagem da casa e menor a chance de ganho do jogador no longo prazo.

Near miss é o “quase ganhar”. É um recurso visual e psicológico que faz o jogador sentir que está perto do prêmio e continuar apostando.

Elas monitoram tempo de sessão, padrão de apostas, hesitação, saques anteriores, saldo, volume apostado e sinais de intenção de saída.

O Pix facilita depósitos rápidos e reduz a percepção do gasto, porque transforma o pagamento em um gesto simples e quase automático.

Odds são as probabilidades convertidas em pagamento. A reportagem mostra que elas nunca são justas, porque já incluem a margem da casa.

Pode ser, em casos específicos. Mas a reportagem destaca que a ferramenta também é usada para proteger a casa e capturar decisões emocionais do usuário.

Eles atuam como afiliados e recebem comissão por indicação, muitas vezes ligada ao volume de perdas ou ao faturamento gerado pelos apostadores indicados.

Ajuda, mas não resolve sozinha. A reportagem defende fiscalização, regras mais detalhadas e critérios éticos de design, além de educação financeira.

Agência Pública

Conteúdo republicado — por Ed Wanderley

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