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Clima e Meio Ambiente

Cheias repentinas pioram crise humanitária e desafiam famílias afegãs vulneráveis

3 min de leitura

As Nações Unidas revelaram esta terça-feira que as recentes e intensas inundações que atingiram o leste do Afeganistão provocaram cenários arrasadores, impondo severas dificuldades a comunidades já extremamente fragilizadas.

O Escritório da ONU para Assistência Humanitária, Ocha, detalhou que os impactos mais graves ocorreram na cidade de Parun, localizada na província de Nuristan. Além disso, foram registrados estragos significativos em Torkham, na província de Nangarhar, e no distrito de Alingar, em Laghman.

O Ocha sublinha que a força das águas causou uma destruição em larga escala na infraestrutura local, atingindo residências, vias públicas, redes de irrigação e meios de subsistência.

Avaliações preliminares indicam que pelo menos 22 casas foram totalmente destruídas e cerca de 45 sofreram danos graves na região de Parun. O comércio local também foi duramente afetado, com avarias em cinco mercados, cerca de 70 lojas, duas marcenarias e diversos veículos.

Os estragos na infraestrutura básica foram severos, resultando no comprometimento e na limitação de tráfego em quatro pontes e seis trechos rodoviários, além de danos em muros de proteção, canais de irrigação e na destruição de cerca de 10 hectares de terras agrícolas.

A interrupção no sistema de abastecimento de água deixou cerca de mil famílias sem acesso à água potável, enquanto instalações comunitárias, como uma clínica privada e uma mesquita, também foram atingidas.

Para a ONU, este desastre natural aumenta a complexidade do panorama socioeconômico afegão, que já é extremamente delicado, conforme destacou a vice representante especial do secretário-geral durante sessão do Conselho de Segurança sobre o país na segunda-feira.

Georgette Gagnon alertou para a fragilidade dos esforços de estabilização econômica diante do brusco aumento populacional.

Desde 2023, quase 5,9 milhões de pessoas retornaram ao Afeganistão vindas de países vizinhos, o que representa um acréscimo superior a 10% na população total do país.

A expectativa é de que até 2,8 milhões de afegãos retornem ao longo deste ano, a maioria sem recursos financeiros e com poucas perspectivas de trabalho.

A reintegração dessas famílias ocorre em um contexto no qual a economia nacional e as comunidades locais não possuem capacidade plena para absorvê-las, resultando no empobrecimento progressivo da população.

Diante dessa realidade também constatada pelo Banco Mundial, o secretário-geral das Nações Unidas reforça o apelo para que todos os países envolvidos no retorno de cidadãos afegãos respeitem as obrigações internacionais de proteção.

O pedido visa assegurar o cumprimento do princípio de não repulsão, garantindo que as repatriações sejam voluntárias, seguras, dignas e acompanhadas por um suporte contínuo de reintegração.

O Afeganistão permanece como uma das maiores crises humanitárias do planeta, contando com cerca de 21,9 milhões de pessoas, ou aproximadamente 45% da população, necessitando de assistência humanitária urgente em 2026.

A ONU aponta que a combinação de eventos climáticos extremos e o enorme fluxo de retornados exige uma resposta coordenada e sustentada da comunidade internacional para mitigar o sofrimento das famílias mais vulneráveis.

UN News

Conteudo institucional reproduzido de UN News, conforme politica de credito da fonte.

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